O Governo do Estado do Ceará, por meio da
Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), trouxe à tona uma
notícia significativa para a preservação ambiental na região da Caatinga. No
dia 16 de dezembro, foram publicados cinco decretos que estabelecem novas
Unidades de Conservação (UCs), com o intuito de promover a conservação da
biodiversidade local e fortalecer as áreas protegidas.
Refúgio de Vida Silvestre Picos da
Caatinga
Entre as novas unidades, destaca-se o Refúgio de
Vida Silvestre Picos da Caatinga (REVIS), que se estende por uma área de
2.181,77 hectares nos municípios de Canindé e Itatira. A criação deste refúgio
tem como principal objetivo proteger os ambientes naturais, assegurando
condições adequadas para a existência e reprodução de diversas espécies da
flora e fauna locais, incluindo aquelas ameaçadas de extinção, como a
maria-do-nordeste (Hemitriccus mirandae), o vira-folha-cearense (Sclerurus
cearensis) e o chupa-dente-do-nordeste (Conopophaga cearae). A justificativa
para a criação do REVIS está na necessidade premente de aumentar as áreas
protegidas e, consequentemente, fortalecer a conservação da rica biodiversidade
da região.
Área de Proteção Ambiental Serras da
Caatinga
Outra unidade de destaque é a Área de Proteção
Ambiental (APA) Serras da Caatinga, que ocupa uma extensão considerável de
66.387,38 hectares, abrangendo os municípios de Canindé, Itatira e Santa
Quitéria. Esta APA visa promover a conservação dos ecossistemas naturais, ao
mesmo tempo que regula o uso do território, garantindo a proteção dos recursos
ambientais e promovendo o desenvolvimento sustentável. A diversidade das
fitofisionomias presentes na região, que incluem formações de Caatinga Arbórea,
Mata Seca e Mata Úmida, foi um fator central na decisão de sua criação, tendo
em vista a manutenção de habitats ecologicamente relevantes.
Além dessas, foram instituídas também a Área de
Proteção Ambiental Serras de Irauçuba, localizada em Irauçuba; o Monumento
Natural Furna dos Ossos, em Tejuçuoca; e a Área de Relevante Interesse
Ecológico (ARIE) Pontal da Serra da Ibiapaba, que abrange os municípios de
Graça, Pacujá e Reriutaba.
Com essas iniciativas, o total de Unidades de
Conservação estaduais do Ceará aumentou de 39 para 44, sob a gestão da Sema,
resultando em uma expansão de aproximadamente 80 mil hectares de áreas
protegidas no bioma da Caatinga. Essa ação é vital para o combate à
desertificação, um fenômeno que impacta negativamente as regiões áridas e
semiáridas.
O processo de criação das novas Unidades de
Conservação foi conduzido através de consultas públicas em diversos municípios
envolvidos, coordenado pela Célula de Diversidade Biológica (Cedib/Cobio/Sema).
Essa ação faz parte do projeto GEF Terrestre – Estratégias de Conservação,
Restauração e Manejo para a Biodiversidade da Caatinga, Pampa e Pantanal,
realizado em parceria com a ONG Associação Caatinga.

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